1
Depois disso o Senhor respondeu a Jó de um redemoinho, e disse:
2
Quem é este que obscurece o conselho com palavras sem conhecimento?
3
Agora cinge os teus lombos, como homem; e perguntar-te-ei, e tu me farás saber.
4
Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens entendimento.
5
Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? ou quem estendeu sobre ela o cordel?
6
Sobre o que estão fundadas as suas bases? ou quem assentou a sua pedra de esquina,
7
Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?
Jó 38:4–7
Quando o Senhor lançou os fundamentos da terra, os filhos de Deus…
8
Ou quem encerrou o mar com portas, quando transbordou e saiu da madre;
9
Quando eu pus as nuvens por sua vestidura, e a escuridão por faixa?
10
Quando passei sobre ele o meu decreto, e lhe pus portas e ferrolhos;
11
E disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se quebrará o orgulho das tuas ondas?
12
Ou desde os teus dias deste ordem à madrugada? ou mostraste à alva o seu lugar,
13
Para que pegasse nas extremidades da terra, e os ímpios fossem sacudidos dela,
14
E se transformasse como o barro, sob o selo, e se pusessem como uma veste,
15
E dos ímpios se desvie a sua luz, e o braço altivo se quebrante,
16
Ou entraste tu até as origens do mar? ou passeaste no mais profundo do abismo?
17
Ou descobriram-se-te as portas da morte? ou viste as portas da sombra da morte?
18
Ou com o teu entendimento chegaste às larguras da terra? Faze-mo saber, se sabes tudo isso.
19
Onde está o caminho para onde mora a luz? e quanto às trevas, onde está o seu lugar,
20
Para que as leves aos seus limites, e para que saibas as veredas da sua casa?
21
Acaso tu o sabes, porque já então eras nascido, e por ser grande o número dos teus dias?
22
Ou entraste tu até os tesouros da neve? E viste os tesouros da saraiva,
23
Que eu retenho até o tempo da angústia, até o dia da peleja e da guerra?
24
Onde está o caminho em que se reparte a luz, e se espalha o vento oriental sobre a terra?
25
Quem abriu para a inundação um leito, e um caminho para os relâmpagos dos trovões,
26
Para chover sobre a terra, onde não há ninguém, e no deserto, em que não há gente,
27
Para fartar a terra deserta e assolada, e para fazer brotar a tenra relva?
28
A chuva porventura tem pai? ou quem gerou as gotas do orvalho?
29
De que ventre procede o gelo? e quem gerou a geada do céu?
30
Como pedra as águas se endurecem, e a superfície do abismo se coalha.
31
Ou poderás tu ajuntar as delícias do Sete-Estrelo, ou soltar os cordéis do Órion?
32
Ou produzir as constelações a seu tempo? e guiar a Ursa com seus filhotes?
33
Sabes tu as ordenanças dos céus? ou podes estabelecer o domínio deles sobre a terra?
34
Ou podes levantar a tua voz até as nuvens, para que a abundância das águas te cubra?
35
Ou enviarás os raios para que saiam, e te digam: Eis-nos aqui?
36
Quem pôs a sabedoria nas entranhas? ou quem deu aos sentidos o entendimento?
37
Quem enumerará as nuvens pela sabedoria? ou os odres dos céus, quem os abaixará,
38
Quando o pó se endurece, e os torrões de terra grudam uns nos outros?
39
Porventura caçarás tu presa para a leoa? ou fartarás a fome dos filhotes dos leões,
40
Quando se agacham nos covis, e estão à espreita nas covas?
41
Quem prepara aos corvos o seu alimento, quando os seus pintainhos gritam a Deus e andam vagueando, por não terem o que comer?